A Galiza pós-petróleo, de carne e osso. Conversa com os integrantes do projeto Pumido ao Natural

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2015-01-14

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“A última pessoa que habitou esta casa foi minha tia avó. No tempo no que estivo aqui o contador da luz nom correu: fixo vida a quando o sol, e nom botou mao nem umha soa vez da eletricidade, ainda sabendo que ia ter que pagar por ela o mínimo de todos os jeitos.”

pumido-ao-natural-4697-foto-BY-olga-romasanta-720x479Janeiro, 2015. Duarte, Roque e Ibán recebem-nos à noitinha na sua morada de Cha da Marinha com esta deliciosa anedota familiar decrescentista (de quando esta etiqueta nem sequer existia) e um café bem quentinho. Há só seis meses que os três começárom a transiçom nesta casa familiar do Vale de Esmelhe, a poucos quilômetros de Ferrol, mas o espaço está já cheio de vida e de ilusom. Vários gatinhos mexem-se arredor dos alhos com os que estám trabalhando quando aparecemos. Galinhas, porcos, vacas e patos formam também parte deste projeto integral, no que pessoas e animais integram o mesmo ciclo que os bosques e a horta.

Pumido ao Natural nasceu com a intençom de coletivizar um espaço familiar abandonado, mas a sua acçom vai mais lá, apoiada em três piares básicos que som o econômico (através dos produtos da horta), a criaçom de comunidade, e o empenho divulgador de técnicas de permacultura e outros saberes, novos e velhos, que permitem a autossuficiência. E, no transfundo, a filosofia da cultura livre impregnando-o todo, e o desejo de polinizar com as suas experiências outras terras, outras comunidades, outras cabeças.

A Galiza pós-petróleo torna carne e osso entre as paredes da casinha de Esmelhe. Com os seus habitantes falamos dos medos, as ameaças, as alegrias e as aprendizagens da volta ao rural.

Do momento no que decides fazer do decrescimento umha realidade (ou quando o pessoal é político)

Há dous anos no caso de Duarte, e seis meses no de Ibán e Roque, decidides começar um projeto de vida no rural, afastados da sociedade de consumo e todo o que a rodeia. Porque? Qual era a vossa situaçom?

Ibán: Eu tivera um trabalho assalariado, e estivera também como autônomo, mas decatei-me de que de nengumha das maneiras me sentia dono da minha vida. Empecei com o tema da agricultura, indo a cursos permacultura com professorado mui interessante, e conhecim outra gente e outra forma de ver o mundo. Estivem de voluntário por granjas ecológicas, mas queria ficar em Galiza, assim que comecei a procurar projetos aqui. Num dos cursos de apicultura conhecim a Roque, e a Duarte já o conhecia de toda a vida. Assim que nos lançamos a isto, e convertim-me numha pessoa sem vida assalariada nem número de conta.

Duarte: Eu nunca fum assalariado. Licenciei-me e cursei um master em energias renováveis, mas nunca me contratárom. Marchei a Barcelona porque a minha moça estava lá, sem choio, nem nada que fazer. No mesmo edifício no que morava no centro da cidade havia umha horta comunitária, assim que um dia baixei e comecei a falar com toda a gente. Trabalhavam coletivamente, a gente guardava as colheitas nas casas, e logo faziam-se jantares comunitários. Volvim para Galiza fazer um curso de bioconstruçom, e batim com um colega que trabalhava em Canido para começar este projeto, em dezembro de há dous anos. Quando conhecim a Roque e a Ibán vim que tínhamos ideias mais semelhantes, dumha iniciativa que fora mais lá da horta e se convertera num projeto integral, assim que vinhérom para aqui.

Roque: Eu, igual que Ibán, tinha já essas inquietudes. Queria ser autossuficiente, mas via-o ao longe. Graduei-me em biologia há pouco, e quando esta oportunidade apareceu, estava nesse momento de crise no que nom sabes que fazer. Aproveitei a ocasiom, porque som da zona e, se a deixava passar, ia-me arrepender muito.

Acho que muita da gente que nos está lendo pode sentir-se identificada com estas histórias de vida. Sigamos pois com o pessoal… Como o tomárom nas vossas casas?

D: A vida na cidade é muito mais dura, condena-te a umha sensaçom de inutilidade. Faz todo o que che vendérom que tinhas que fazer, e nom tes nada de trabalho, nem se cumprem as expectativas sociais… A família está contenta de me ver mais contente agora. Ao princípio nom te entendem, mas tenhem-te que ver, com constância, com ganas. É normal! A minha avó fugiu do campo, como vai entender que eu queira volver? Pergunta-me porque quero volver aos 40, e eu digo-lhe que nom é o mesmo: nós voltamos com informaçom, e com muitas ganas de ir tecendo rede aqui.

R: Eu sempre fum um pouco o excêntrico entre os amigos, assim que suponho que nom surpreendeu demasiado. Na casa, de primeiras tivérom as suas dúvidas, mas agora aceitam-no bem. Meu pai gosta do campo, e de vez em quando vém ajudar-nos.

I: Sim que te vês na obriga de dar explicaçons, mas cada um passou os seus tempos escuros, e quando te vem tam convencido, e és consciente de tantas cousas como o somos nós agora, negar isto é impossível. Para nós isto é a saída. Isso reflete-se no nosso estado de ânimo, assim que a gente acaba aceitando-o.

Piar I: A formaçom e a divulgaçom

Umha das “linhas mestras” de Pumido ao Natural é a formaçom em temas de permacultura, e a divulgaçom destes saberes. Imagino que este caminho começa pola própria autoformaçom… Ou conheciades já o agro?

pumido-ao-natural-4698-foto-BY-olga-romasanta-720x662R: Ibán e Duarte som de Ferrol; eu dumha aldeia próxima, de Covas. Na minha casa havia horta e vacas, mas eu era um desses moços que viviam no agro mas nom faziam vida nele.

D: Para nós a autoformaçom é básica. Falar, ler, organizar cursos, ver vídeos em internet… Malia todo, a agricultura aprende-se no campo, e nom queda outra que experimentar. Para nós foi básica também a relaçom com os vizinhos; eles tenhem as chaves que precisamos. Eu por exemplo lim muito aos “permacultores puristas”, mas nom quixem negar-me a fazer regos e trabalhar com sacho. Depois decatei-me de que assim perdes muito tempo, e é muito melhor trabalhar em bancais. Umha capa de compostagem, outra de caixas de cartom sem tinta, palha, plantamos, e ao colheitar outra capa de compostagem e cartom. E assim vas fazendo solo, sem destruir os extratos. Mas a essa conclusom chegas provando!

Juan Antón Mora ou César Lema som algumhas das pessoas que passárom por aqui nestes meses para compartir os seus conhecimentos. Que suponhem estas experiências para vós?

D: A formaçom é para nós um piar fundamental. Cada charla dá-nos muita energia, e a semana seguinte de vir qualquer pessoa estamos a tope! Dam-nos a vida que às vezes falta aqui, já que isto nom é o “campo jovem” e dinâmico do que nós gostaríamos. Aqui o vizinho mais novo tem 70 anos. O bom é que às atividades vém tanto gente nova doutros projetos alternativos como gente do lugar, e isso para nós é mui importante. O encontro com Juan Antón Mora foi brutal; ele é umha pessoa cheia de energia. Entre outras cousas, compartiu com nós a experiência do seu “bosque de alimentos”, um conceito de permacultura que copia o sistema dos bosques, esses espaços férteis que ninguém vai regar. Neles, as plantas e árvores convivem, cada umha na sua época do ano.

R: A permacultura é o ponto por onde decidimos começar, mas o abano vai-se abrindo a pouco que tires do fio. O mês passado, por exemplo, véu umha moça chamada Xisela, que tem umha horta urbana num museu de arte contemporânea em Móstoles, e deu um obradoiro de cosmética natural, no que aprendemos a fazer cremes para as mãos. Tratamos de caminhar cara a autossuficiência, em todos os seus frentes.

I: O encontro com César Lema foi também espetacular! Ensinou-nos a fazer pam de landras, e compartimos com ele um jantar bem bonito. Para além destas atividades com gente externa, queremos começar a fazer “sábados abertos”, nos que a gente que quiger poda vir aprender com nós sobre as tarefas com as que andemos em cada momento, ajudar-nos, e compartir conhecimentos. E também levamos a cabo algumhas atividades para crianças no local social, como o obradoiro de “bombas de sementes” que fixemos há pouco, e que tivo muito êxito.

E no que se refere à reabilitaçom da morada? Tivestes que vos formar também ou nom fixestes reformas?

D: Quando cheguei havia um falso teito mui cutre que retiramos para deixar as vigas ao descoberto, como estám agora. Também recebamos o forno com barro, ainda que a casa nom requeriu reformas estruturais. Faltam só algumhas cousinhas, como amanhar a quadra dos porcos para que nom nos filtre água.

R: Tem a estrutura da casa tradicional galega, assim que está bem pensada e bem preparada para o clima desta zona.

I: Eu quero construir a minha própria casa num terreno dos familiares pertinho de aqui, e quero faze-la com barro.

Piar II: Sementando comunidade

Muitas destas atividades de formaçom das que estamos a falar tenhem lugar no local social da paróquia, e contam com umha gram presença de vizinhas e vizinhos, algo que outros projetos semelhantes nom som quem de conseguir.

I: Nós estamos aqui porque a vizinhança o fai possível; isso há que dize-lo. Tratam-nos de vício. Venhem às atividades que programamos, e muitos mesmo mudárom já os seus jeitos de cultivar. Para nós, com que um o faga, já é umha semente importantíssima.

R: Chegamos num momento no que a Associaçom de Vizinhos de Esmelhe está num “boom”. Fam jantares, atividades, ludoteca, bolilhos, acabam de restaurar a rota dos moinhos,… Apoiam-nos muito. Dam-nos espaço para as atividades e projetor. Nada tem a ver com os locais sociais doutras paróquias!

D: Para além de virem às atividades, estám mui pendentes dos nossos trabalhos. Venhem ver como sementamos e assesóram-nos, e de passo, vem como fas ti e deixam-se aconselhar também subliminalmente. Por exemplo, aqui os alhos nom os plantavam porque alguém lhes dixo que a terra era mui ácida, e a nós dérom-se-nos bem. À gente comérom-lhe a cabeça desde a década de 70, dizendo-lhes o que podiam plantar e o que nom, como acabar com cada praga… E agora nós proponhemos-lhes voltar ao tempo no que nom se usavam químicos.

R: A senhora Julia, que vivia nesta casa, trabalhava todo natural e sem químicos. Aqui havia muita gente que já fazia permacultura antes de que se lhe chamara assim.

I: Para nós este intercambio de saberes é imprescindível; queremos criar comunidade. Nas cidades se nom tes um ovo, nom comes ovo. Aqui é bem diferente. Eles nom querem ver morrer a aldeia na que medrárom, assim que ponhem muito da sua parte para que a relaçom vaia bem.

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Com relaçom a isto, há um tema bem interessante e que preocupa a muita da gente que quer iniciar o seu êxodo ao rural. Aqui nom começastes de zero, sodes “netos de”. É mais fácil voltar ao sítio de onde és?

D: Isso falamo-lo muito. Eu tivem a oportunidade de começar projetos em Barcelona, mas o seu campo nom é o mesmo que o nosso. E a casa da minha família estava aqui, assim que tinha mais sentido vir.

I: Eu estivem a piques de começar algo na Serra de Outes, onde colaborei intermitentemente e me tratárom mui bem. Mas depois apareceu isto e, a verdade, melhor que na tua comarca nom vas estar em lado nengum. A sona do meu avó e o meu bisavó precedem-me, e isso facilita as cousas. A gente maior nom desconfia tanto.

E para além da aldeia, estades trabalhando para criar comunidade também?

D: Sim! Estamos criando um grupinho de gente que trabalhamos nos mesmos parâmetros, com por exemplo com a gente de Sam Sadurninho. Queremos trabalhar em rede; que eles nos cubram nos produtos que nós nom podemos oferecer e vice versa, já que ponhemos os mesmos preços e cultivamos do mesmo jeito.

R: Colaboramos também com a associaçom Con Suma Conciencia, mais centrada em temas energéticos.

Piar III: Sobrevivência e autossuficiência (ou como viver sem salário)

Outro dos medos mais compreensíveis para quem está pensando em começar um projeto é a subsistência econômica enquanto este sistema nom remata de esmorecer; umha agonia que, por outra parte, nom sabemos quanto pode durar. Como fazedes para obter algum recurso econômico?

D: As feiras eram umha fonte de ingressos, mas deixamos de ir bastante, porque nom queremos passar pola nova lei de etiquetagem, porque cremos que vai evolucionar cara formas de controlo.

Pumido ao natural

I: Sim, esta Lei apresenta-se como demasiado bonita, mas nós pensamos que é umha cortina de fume, já que todo o mundo teria que ter o produto registrado e umha espécie de facturaçom com o que entra e o que sai disponível por se há umha auditoria, e nós o que defendemos é venda direta e transparência. Nom buscamos selos estatais, preferimos o selo da confiança, e que os próprios grupos de consumo venham ver como trabalhamos se querem. Esta Lei pode acabar com o mercado de venda de excedentes, porque muitas senhoras que vam às feiras se tenhem que registrar-se pararám de ir.

D: Ainda assim, a produçom de horta que temos agora mesmo está toda vendida a familiares e amigos e aos grupos de consumo de Ferrol. Este sistema requer mais programaçom, mas é mui interessante para nós. Nesta temporada temos acelgas, escarola, porros, nabiça, faba loba medrando, sementeiros para a primavera,… Fazemos também pequenos trabalhos para os vizinhos, como o desbroce, com os que obtemos algum recurso pequeno.

I: O que buscamos realmente é a autossuficiência: a pouco que vendamos, imos ser capazes de subsistir, porque a nossa necessidade de dinheiro é mínima.

D: Para isto temos que ser multifaces! Na casa dos pais de Roque, por exemplo, tenhem umha colmeia da que atiramos a cera para fazer os produtos cosméticos. O projeto é um organismo vivo, no que mudam as necessidades e também as pessoas. Como ganharemos dinheiro, se é que nos fai falta algum, irá-o dizendo o tempo. Dentro de 10 anos igual a horta é só para autoconsumo porque todo o mundo tem, e pensamos noutro jeito de subsistir. Nom temos medo.

I: Estamos também abertos a qualquer troco. A moeda social aqui ainda nom está mui trabalhada, mas tem muitas possibilidades.

E apoio insitucional? Recebedes? Queredes?

I: Nom nos interessa. Nom queremos nada do estado nem dos bancos.

pumido-ao-natural-20150114-WA0016-404x720D: Poderiamos estudar trabalhar com cooperativas como Fiare, mas por agora nom temos intençom. Nom queremos que nos dem nada, para nom dever-lhes nada tampouco.

Liberaçom dos saberes (dos novos e dos tradicionais)

Insistides na importância dos conselhos dos e das mais velhas. O modelo autossuficiente e respeitoso com o meio que estades explorando é algo que já existia na sociedade tradicional, e toca resgatar?

I: Bom, a agricultura nom é nada novo; quiçá sim o é a filosofia deste modo de vida e as ameaças com as que nos topamos hoje em dia. A gente vivia do campo até o êxodo provocado pola indústria. Agora a indústria petou, rematárom as prestraçons, e toca voltar ao campo, mas a realidade nom é a mesma.

R: Estamos numha situaçom sem precedentes, e para sair adiante toca misturar o modelo de antes, do que tantas cousas estamos aprendendo, com técnicas novas que dem resposta a novas necessidades.

D: Sejam tradicionais ou novos, esses saberes há que liberá-los. Queremos compartir patacas mas também a maneira de plantá-las. Nom acreditamos nesse paradigma competitivo que di que estamos tirando pedras contra o nosso telhado se compartimos os nossos saberes. O nosso objetivo é que todo o mundo poda plantar e funcionar com um banco de sementes onde estejam todos os produtores associados, e que nos permita prescindir do mercado. Isso já se está fazendo com a Rede de Sementes!

E nas cidades?

Falamos da vida no rural, as suas oportunidades e as suas dificuldades. Mas e nas cidades, nom há saída?

I: Há! Estám os centros sociais okupados, as hortas urbanas,… Se as pessoas se juntam, podem, e há sítios onde isto já se está demonstrando.

R: Em Ferrol mesmo estám Os Mapuches, na horta comunitária do Canido, e Caranza… Mas eu a verdade é que esta transiçom nas cidades nom a vejo. Há muita gente e pouco espaço para plantar. Se nom tes espaço para plantar que fas?

I: Os espaços tomam-se. Se aqui podemos viver autossuficientes numha casa, ali podem fazer o próprio num bloco de edifícios. O próprio Juan Antón Mora perguntava-se porque nas cidades as árvores som apenas decorativas, e nom produtivas. Há que buscar espaços para produzir alimentos!

D: Eu penso que sim há saida, ainda que seguindo também este caminho da autossuficiência. Nom podemos pensar que 6 milhons de pessoas vam migrar ao campo. Transiçom a distintos ritmos. A soluçom está nas pessoas. A gente está raviosa, em concentraçons e greves, mas agora o que toca é também construir, e depender o menos possível. Somos a primeira geraçom que nom vai saber plantar a sua própria comida!

R: Nós fazemos muito essa crítica. Ferrol é umha das cidades com mais paro, e a gente sai nas manifestaçons para apostar por um modelo que está morto. Querem volver ao de antes, nom há interesse por gerar umha alternativa. O movimento mais clássico está mui associado a isto, mas é umha perspectiva bastante niilista. A luita está na autossuficiência.

Que lhe diriades a quem ainda nom deu o passo?

I: Que apague a tele, que espabile, que saia da cidade ou busque recursos nela, que está todo por fazer.

R: No agro ninguém che vai dar nada, nom vai ser fácil. Mas é a saída, e temos que começar a construir alternativas para que cada vez seja menos dificultoso migrar a ele.

Esmelhe, 2030

E por fim, como vos vedes em 2030, e como ao resto da sociedade galega?

D: Eu penso que a sociedade galega está preparada para a transiçom, e vai ser mais fácil que noutros sítios graças à cercania do rural e ao minifúndio.

I: Mesmo nos sítios onde nom há minifúndio, há esperança: as terras podem-se tomar, podem-se repartir doutro jeito. Eu imagino umha sociedade pós-petróleo total, com uns transportes e uns sistemas de comunicaçom que pouco tenhem que ver com os que conhecemos. E com mais presença da bici!

R: Bom, também há muitas forças e muitos interesses perigosos: a privatizaçom do sol, do monte, as piscifatorias, … Há que luitar. Como projeto, acho que em 2030 teremos avançado bastante.

D: A vida no campo será para daquela umha alternativa mais estendida, e esperemos que os saberes estejam também estendidos e compartidos.

Pumido ao natural


De Esmelhe marchamos com umha presada de caquis da casa, e a sensaçom de que a lenta agonia do sistema é menos lenta e menos agônica graças aos pequenos construtores que, em cada recuncho do país, estám a levantar os cimentos da nova civilizaçom que nos aguarda.

Contido editado em colaboraçom com o periódico Novas da Galiza

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Olga Romasanta

Educadora e pandereteira. Colaboradora do periódico Novas da Galiza na secçom Dito e Feito (iniciativas em marcha).

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